Cães do Cerrado e sua bolada aventura no Jambolada

Postado por lixoecorrupcao em Nov 3, 2009 como Agenda, Fotos, Textos |

A Caravana da Alegria – Dia 23 de outubro, sexta-feira, noite

Após esperar anciosamente, durante toda a semana, inicia-se a nossa jornada rumo ao Jambolada e às outra maravilhas da mística Uberlândia de Danislau. Às 23:30 iria sair da entrada do Palácio das Artes, em BH, um ônibus com o pessoal dos coletivos Pegada, Fórceps, Anti-Herói, Retomada, A Margem, Mogoteca, Vatos, Semi-Fusa e das bandas 4instrumental, Graveola e o Lixo Polifônico, Cidadão Comum, Manolos Funk e Cães do Cerrado – ou seja, uma puta galerinha da pesada. Aproveitando uma carona, cheguei no local combinado, na compinhia de minha irmã, às 22:00, sendo nós os primeiros a chegarem. Lá havia umas simpáticas mulheres de no mínimo ¾ de idade que aguardavam um ônibus para uma clássica excursão a Aparecida do Norte. A partir das 23 horas começaram a chegar as outras pessoas. Quando o Gigopepo (dos Cães) viu que era um ônibus executivo ele ficou muito feliz, pois pensara que iríamos num 1207 da vida. O pessoal dos Cães (me incluo) combinou de ficar no fundão, que é o local usal da turma da bagunça. Quem não gostou foi minha irmã que alegou que, por estarmos perto do banheiro, sofreríamos com o odor fétido das excretas alheias – mal sabia que do banheiro a fragância exalada seria das ervas loks da rapeize.

Durante o translado da ida, a minha principal diversão foi relembrar os clássicos do “É o Tchan” com o Charchar (do Pegada)… quanta perspicácia teve o autor de “Essa é a mistura do Brasil com o Egito / Tem que ter charme pra dançar bonito”. Depois disso, apaguei geral, assim como a maioria dos outros tripulantes. Acordei numa primeira parada, que assim como a segunda, não teve nada de especial, exceto por um poster que anunciava “o ônibus mais seguro do mundo”, que aparentemente era igual a qualquer outro.

Bom dia e prepara-se para a piração – Dia 24 de outubro, manhã

O sol já havia começado a raiar quando adentrávamos em Überland. O busão pára em frente ao Acrópole (o faraônico local onde acoteceriam os shows desse dia). Lá tive uma idéia do que nos aguardava. Ver aquele lugar enorme levantou minha moral. A partir daí comecei a entrar em taquilalia, falava sem parar. Nisso, enchi o saco do 37 (que nem havia acordado), do Gigopepo, contei pra Stephanie um sonho absurdo em que eu estaria no meio de um combate entre esporpiões e aranhas caranguejeira e pedi à Sté (que já cursou há algum tempo uns períodos de psicologia) para  interpretá-los.

Fomos para a porta do Hotel onde teríamos de esperar até o meio-dia quando começaria a nova diária. Nisso, quase todos foram ao Espaço Goma para conhecê-lo. Porém a galera dos Cães, que já conhecia o Goma (e algumas outras verdades da vida), decidiu ficar numa lanchonete tomando o café-da-manhã e trocando uma idéia numas mesinhas voltadas para a rua. Nisso chega o Malibu (morimbundo de sono) que estava desde quarta-feira em Überland para as discussões do CFE. Pouco depois aproxima-se da nossa mesa o Luis Gabriel do Graveola, brother muito sangue, que sentou-se conosco e trocamos uma idéia fina sobre vários assuntos incluindo – não sei porquê – a legalização da Cannabis.

Nessa mesma lanchonete, eis que aparece uma professora de meia idade que ficou falando que o cabelo do Malibu “é o must”. Alguns minutos após sair, ela retorna trazendo 8 de suas alunas, a quem nos apresentam como “os músicos”. Apesar de muito simpáticas, elas tinham 12 anos (que tipo de professora é essa?). Nesse mesmo instante, chega a galera que tinha ido ao Goma dizendo que estava paia ficar num ambiente fechado naquele calor do Triângulo Satânico Mineiro®.

Os quartos do hotel ainda não estavam disponíveis e eu estava quebradaco. Pra descançar, botei a cabeça na perna do Alcatraz e mandei um bodosso federal em plena praça.

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(Foto por 37)

Com a liberação dos quartos, subimos com nossos pertences (a roupa do corpo, uns carapatos e uns intrumentos) e descançamos por alguns minutos. A galera dos Cães se dividiu em dois quartos. No meu ficaria também o Malibu, o 37 e a Babi. No outro, o Gigopepo, a Stephanie, o Alcatraz e minha irmã. Descemos para almoçar e no caminho o Gigopepo me falou que havia brigado com sua namorada (a Stephanie) e me perguntou se, por conta disso, minha irmã poderia dormir na mesma cama que o Alcatraz para que o Gigo não precisasse dormir com a Sté. Eu calmamente disse que eu poderia trocar de quarto com o Alcatraz  e, assim, eu dormiria com minha irmã. Uma hora depois, Gigopepo confessa que tudo fora inventado para despertar minha ira. Mal sabia ele que eu já era veiaco.

Após bater um bodosso revigorante, vestimos nossas piores roupas e descemos para irmos ao Acrópole.

Perfeição é igual a Aniquilação – Dia 24 de outubro, noite

Quando chegou a van que nos levaria ao Acrópole, vi nela o Jack, percurcionista pirado do Porcas Borboletas, que já conhecia de BH. Conversamos de leve no caminho.

Então chegamos ao Acrópole. Puta que pariu: que deslumbre! O lugar é do caralho! Dois palcos muito bons, uma área externa bem legal, uma estrutura também foda. Puro tesão! A primeira banda foi a Áura de Divinópolis; então começamos o quebra pau e alopramos ao extremo. Outras bandas que eu curti mito no sábado foram o 4instrumental de Sabará, o Porcas Borboletas e, inevitavelmente, o Sepultura. Nós, do Cães, combinamos de assistir ao show do Sepultura de um camarote que fica num nível mais alto. Mas o Alcatraz, que é locasso, resolveu curtir o show no mosh, e lá permaneceu durante todo este show. Resultado: sua pulseira de identificação de músico do evento foi desintegrada em bilhões de átomos. Eu pensava que o show do Sepultura seria bom, mas foi muito melhor. Depois desse dia eu passei a acreditar veementemente que Sepultura é a melhor banda de rock do Brasil.

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(Cães do Cerrado. Foto por Hick Duarte – Goma Comunicação)

Ao final, antes de saírmos do Acrópole, um segurança nos informou que um rapaz teve os ligamentos que sustentam sua patela brutalmente rompidos ao ser esmagado contra algo no show do Sepultura. Cabuloso.

Deixamos o local e nos convidaram a ir a um fim de noite no Espaço Goma. Como já eram 4 horas da matina ninguém animou, exceto o Alcatraz, que aprendeu em Neves a aproveitar toda oportunidade que aparecer.

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(Acrópole durante a apresentação do Sepultura – Foto por Goma Comunicações)

Domingo da Gente! – Dia 25 de outubro, manhã e tarde

Na manhã de domingo, ouvi a Babi, passando perto de onde eu estava dormindo e a perguntei as horas. Ela disse que seriam 8:30. Então perguntei novamente: “a que horas começa o café-da-manhã?”. Ela respondeu: “termina às 9:00”. Pulei da cama em desespero e desci para o café sem vergonha do cabelo à la Bozo. Todos tomaram café-da-manhã, menos o Malibu, que prefere dormir mais (sempre).

Após dormir, comer e voltar a dormir, acordei para voltar a comer. Iríamos almoçar e ir pros shows de domingo que seriam numa praça. Bem doido lá também. Rolou uma chuvinha fina que não botou medo em ninguém. Na verdade, quando começou a chover, eu junto com uma galerinha entramos debaixo do palco onde também dava pra curtir o movi. Doidera.

O primeiro show foi do Cidadão Comum. Muito doido. Me surprienderam para melhor. Então teve Manolos Funk e depois Graveola e o Lixo Polifônico, que fez a apresentação que eu mais curti no domingo. A partir daí comecei a curtir um programa de praça. Tomei um sorvete com os chegados, conversei na grama com a rapeize e depois comecei a andar paranóico quando um pássaro cagou no Edu (do Pegada). Paia.

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(Foto por 37)

Vamos embora, minha gente, vamos embora sem demora -  Dia 25 de outubro, noite

Às oito da noite voltamos para o ônibus rumando nosso retorno. Antes do busão partir, a galera pegou um violão e uns instrumentos de percurssão e fizeram um batuque que agradou a todos aqueles que queriam dormir. Na real, eu só curti quando mandaram um Tim Maia Racional “read the book, the only book, the book of gods, The Universe in Disenchantment, and you gonna know the truth”. Apesar de conceitualmente Timaiarracional ser a viagem mais torta da história da música brasileira, musicamente é bom. O reportório da galera foi predominantemente de música brasileira, mas, pela situação, combinaria mais música jamaicana.

O restante da viagem foi de boa. Vou pra sempre lembrar desse Jambolada. Eita viagenzinha foda. De todo mundo que ouvi falar algo sobre o festival ou sobre a viagem, o comentário era sempro o mesmo: “do caralho!”. Vou dizer: Pirei o cabeção!

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(Despedida da Fora do Eixo Minas – Foto por Goma Comunicações)

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1 Comentário

Luis
Nov 4, 2009 às 11:38

É isso ae pessoal, imagino que o show de vocês deve ter sido muito foda, muito bom…quando rolarem alguns shows assim que vão rolar van, me dá idéia ae que eu animo demais de ir ver o som de vocês…….Os Cães sao uma das minhas bandas mais preferidas.Desde a 1º vez que escutei….. o nome da banda eu já curti, ai quando finalmente eu fui ver um show de vocês ao lado do Jon(Vocal da Quase Coadjuvante) eu pirei cara…..me lembro que no mesmo diavcstocaram ao lado da banda Us Mula Preta e vocês mandaram um som muito, mas muito foda ai num deu outra, virei fã da banda…. e acho bacana demais o espaço que vocês estão conquistando é isso ae pessoal…..e vamo que vamo!!!!


 

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