Padrões Abertos
Há não muito tempo recebi um arquivo .docx que não consegui abrir. Depois descobri que o .docx era uma extensão do Microsoft Word 2007, que é incompatível com as versões anteriores do Word. Apesar de a maioria das pessoas não terem a versão mais recente do Microsoft Office, eu observava com muita frequência colegas passarem a outros documentos .docx, apresentações .pptx e esses não podendo ser abertos.
No final de novembro deste ano (2009), fui como curioso ao “2ª Festival de Software Livre de Belo Horizonte” onde assisti a várias palestras, inclusive uma que me instigou bastante de título “Padrões abertos e informação livre”. Padrão aberto é um formato que pode ser executado em qualquer software relacionado a esse tipo de arquivo sem que haja royalties ou outras taxas. Por exemplo, o padrão aberto para documento de texto é o ODF, formato que pode ser salvo e aberto no OpenOffice, no Microsoft Word, etc…).
A palestra também enfocou bem os principais problemas em se utilizar um padrão proprietário. Um desses problemas é o término de sua fabricação, ou que versões recentes do software tenham novas extensões que não são executadas por versões anteriores do mesmo software (como ocorre com o Corel Draw e os programas da Microsoft Office). Além de não ter esse tipo de entrave (que nos torna dependentes da boa vontade dos fabricantes), um padrão aberto permite que um mesmo arquivo possa ser aberto pelo software que o usuário preferir. Ao salvar algo num padrão aberto, você também se certifica de que seu documento poderá ser executado por qualquer um, já que há softwares livres gratuítos à disposição de todos. Com isso, há maior democracia e inclusão digital.
Entre os formatos de música, o bem conhecido mp3 não é um padrão aberto. Para gravar arquivos nessa extensão. Seria necessário ter uma licença com a autorização da empresa que desenvolveu o mp3. Até mesmo a poderosa Microsoft, símbolo maior dos softwares proprietários, foi processada por usar mp3 e teve que pagar uma indenização de 1,5 bilhões de dólares.
Esse tipo de problema legal possivelmente nunca afetaria um usuário comum, mas eles criam a cultura de que indivíduos ou empresas que desenvolvem software multimídia devem temer processos judiciais. Enquanto que os padrões abertos colaboram com a cultura da cooperação, da liberdade e da coletividade.
Os padrões abertos para arquivos de música são o FLAC (formato sem compressão, tem a melhor qualidade entre os formatos digitais) e o Ogg (formato comprimido, equivalente ao mp3). O Ogg tem qualidade tão boa quanto o mp3, podendo comprimir para tamanhos ainda menores e é completamente livre de patentes, tendo todas as vantagens de um padrão livre.
Então, experimente ouvir uma música em formato Ogg. Em www.caesdocerrado.bandcamp.com você pode fazer o download de uma música ou de todas na extensão que desejar.

Ogg e FLAC são bala e tal, mas nao roda no itunes, o principal player do mac… =(
O q mais me deixa puto com software proprietário são umas resistências como essa. Talvez tenham pluggins pra rodar Ogg e FLAC no itunes.