O início de tudo, por Malibu

O início de tudo pode ser um pouco longo, mas tentarei exaltar os pontos marcantes.

É uma história que começa há quase 10 anos atrás, numa sucessão de fatos que se iniciam comigo incentivando o Lixo e Corrupção a aprender a tocar baixo. Nessa época eu ainda estava aprendendo a manusear uma guitarra e tentávamos compor coisas juntos. Nada muito incrível, mas desde cedo tive essa vontade de fazer música. Sempre de um jeito bem pessoal e com os pouscos instrumentos disponíveis…

Em 2002, ainda semi-guitarrista, tínhamos um projeto que depois de batizado com nomes diversos, acabou-se nomeado  “Lendas Urbanas”. O Punk Rock era um ponto de intercessão óbvio entre todos nós e foi nossa maior influência desde o começo. Essa formação contava com a participação minha (na guitarra), do Lixo e Corrupção, do F. Dinamite (voz) e de mais dois amigos: os Irmãos Penais (guitarra e bateria). Em novembro desse ano seria a nossa primeira apresentação. Pouco antes da data marcada os Penais decidiram sair da banda, pois já não compartilhavam das mesmas idéias. Foi aí que aglutinamos outros três amigos: Gigopepo, 37 (guitarras) e Alcatraz (voz). Nota-se que nenhum dos três eram bateristas. Então convidamos um amigo da escola para tocar bateria com a gente.

As coisas podem estar confusas pelo meu jeito de narrar os fatos, mas eu explico: Nesse dia uma banda punk tinha 3 guitarristas, 2 vocalistas, 1 baixista e 1 baterista. Bizarro né? E não é necessário dizer o tanto que a gente não tinha a manha, mas nossa destreza musical sempre foi inversamente proporcional à vontade de tocar…

Desde antes desse evento eu, Lixo, Dinamite, Gigopepo, 37 e Alcatraz, tínhamos uma ligação muito forte. Depois dele, percebemos o quanto queríamos ficar juntos e fazer muito barulho. O Pardal, que tocou bateria com a gente, estava em outra onda e resolveu seguir seu próprio caminho. No final das contas, sobraram nós 6, nenhum baterista e uma vontade de barulhar inacabável, então resolvi aprender a tocar bateria.

Continuamos juntos até o início de 2005, quando resolvemos pendurar a chuteiras definitivamente. Mas isso não separou nossos laços, ainda éramos grandes amigos.

Em meados de 2007, passei uma temporada perambulando pelo mundo com o Gigopepo e, durante essa viagem, surgiu aquele ímpeto de reunir os grandes amigos para tocar novamente. Esse era o embrião do que estamos propondo hoje. Quando nos juntamos, sabíamos da força dos nossos laços e o Punk ainda era uma influência comum. Mais que isso, era uma parte importante de todos nós. Não tínhamos vontade de ser o “Lendas Urbanas” outra vez, mas também não sabíamos muito bem qual seria o nosso caminho. O Lendas era uma coisa muito pessoal, uma expressão do nosso senso de humor interno, pastelão, quase circense e que não fazia sentido pra ninguém além de nós mesmos. Ao mesmo tempo rolavam os protestos contra “tudo isso que está aí” e claro, nenhuma habilidade musical. Foi uma boa fase, marcou um pedaço extremamente relevante na nossa história, mas não refletia o queríamos construir. Apesar das piadas e brincadeiras estarem presentes até hoje, a vontade era trabalhar algo mais profundo do que qualquer coisa que havíamos feito antes. Então fizemos do Punk um meio de exprimir coisas legítimas que fazem parte da nossas realidade, dando início ao Cães do Cerrado.

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